A Disney Finalmente Comprou A Fox: Quais Os Impactos Desta Negociação?

Acreditem ou não, aconteceu!! Após semanas –senão anos– de especulações, a Walt Disney Company anunciou nesta manhã que está adquirindo praticamente toda a 21st Century Fox. A aquisição de $52.4 bilhões (BILHÕES) é uma das maiores na história do entretenimento e traz a Fox –que controla tudo desde Os Simpsons até os X-Men, Quarteto Fantástico e Deadpool– para a mesma casa da Pixar, Star Wars e todo o Universo Cinematográfico da Marvel. Este acordo vai redefinir todo o cenário do entretenimento–e particularmente, dos serviços de streaming também.

"Eu quero ver é todo mundo saindo na porrada."
“Eu quero ver é todo mundo saindo na porrada.”

No cenário atual, as propriedades gerenciadas pela Disney e Fox estão espalhadas por uma série de serviços, na Amazon, Netflix, Hulu –esta última inclusive, a Disney agora detém 30 por cento da participação da Fox, o que significa que agora a Disney possui a maior parte do serviço (ela já tinha uma parte graças à sua propriedade da ABC)–. Entretanto, é provável que os efeitos desta compra não sejam notados tão imediatamente; Os contratos existentes, alguns de ANOS de duração, têm de se desenrolar. O acordo também não afetará as redes de transmissão da Fox. (Este é também um bom momento para lembrar a todos que as empresas que criam conteúdo nem sempre são quem os transmite no final das contas, a 20th Century Fox pode criar conteúdos para a NBC, etc.)

Mas a Disney tem planejado lançar seu próprio serviço de streaming, ainda sem nome, em 2019. A empresa já disse que seus filmes da Marvel e Star Wars encontrarão uma casa, junto com outras novas séries que habitam estes universos. Isso faz com que o futuro serviço de streaming da Disney tenha uma força inigualável.

Pensa só: a Disney tendo acesso a todas as propriedades que já tem –uma enorme quantidade de filmes e TV– mais todos os filmes da Fox e as produções de TV, isso é uma quantidade insana de conteúdo. Considere também que, a Disney disse publicamente que planeja que seu serviço de streaming tenha um custo mensal “substancialmente mais barato” do que a Netflix.

Para dar uma ideia ainda melhor do tipo de monstro que isso está criando, aqui vai uma pequena amostra do que a Disney está recebendo da Fox: O universo X-Men (desapegue da ideia simplória do time liderado por Charles Xavier apenas. Este universo é gigantesco e tem muita coisa a se explorar. Vide Deadpool, o agora incerto filme do Madrox, equipes como a X-Force, e por aí vai), franquias poderosas como Avatar, Planeta dos Macacos, Alien e Duro de Matar. Traz também franquias mais infantis como A Era do Gelo e Alvin e os Esquilos. Ah, sem esquecer também de todos os programas dos canais National Geographic, e uma série de outros conteúdos para TV como Modern Family e American Horror Story. Aliás, falando em Deadpool, para os desesperados que já estão aguardando um filme mais infantilizado do anti-herói, fiquem tranquilos, pois o próprio CEO da Disney, Bob Iger, disse que os filmes do Deadpool podem continuar sendo para maiores de 18, sem problemas.

"Calma gente. O Deadpool já está negociando com os caras lá na Disney. Bom, do jeito dele."
“Calma gente. O Deadpool já está negociando com os caras lá na Disney. Bom, do jeito dele.”

Os efeitos deste acordo puxam o tapete de competidores que dependem da Disney e Fox para completar seus catálogos de streaming. Enquanto Netflix, Amazon, Hulu e outros passaram a produzir conteúdo original nos últimos anos –já prevendo esse tipo de problema– perder conteúdos famosos dos grandes estúdios coloca mais pressão do que nunca nestas empresas.

“Os proprietários de conteúdo estão percebendo que podem ir diretamente aos consumidores e não precisam de um agregador”, diz Dan Rayburn, analista de mídia em streaming da Frost & Sullivan. “Se é um concorrente para a Netflix e Amazon? Com o tempo, será.”

“Queremos opções, mas ao mesmo tempo está tudo muito fragmentado”, diz Rayburn. “Essa é a desvantagem: não há mais um agregador que esteja agregando tudo, e a realidade é que isso não vai acontecer”.

Talvez não. Todas as plataformas de streaming agora têm o suficiente em seus cofres para fazer falta no mercado caso desapareçam, e os telespectadores não costumam desistir de um serviço com o qual já estão acostumados apenas por conta de uma concorrência robusta. Mas esta última fusão sinaliza que grandes mudanças estão chegando neste mercado de streaming. O domínio ainda é da Netflix e Amazon, mas agora eles têm um camundongo em sua cola.

 

Por: Eduardo Gadens

Fonte: Wired

%d blogueiros gostam disto: